quinta-feira, 23 de maio de 2013

Homilia do Papa Francisco

O Papa Francisco celebrou como habitualmente a sua missa matinal na Capela da Casa de Santa Marta. Na sua homilia o Santo Padre colocou em destaque a missão dos cristãos de difundirem o sal da fé, da esperança e da caridade. Numa missa que foi concelebrada pelos cardeais Angelo Sodano e Leonardo Sandri e o Arcebispo de La Paz Edmundo Montero e onde estiveram presentes sacerdotes e leigos colaboradores da Congregação para as Igrejas Orientais, o Papa Francisco falou do sabor dos cristãos… “O sal tem sentido quando se dá para dar condimento às coisas. Penso mesmo que o sal conservado no frasco, com a humidade, perde força e não serve. O sal que nós recebemos é para ser dado, é para temperar é para ser oferecido. Pelo contrário torna-se insipido e não serve. Devemos pedir ao Senhor que não nos tornemos cristãos de sal insipido, como o sal fechado no frasco. Mas o sal tem também uma outra particularidade: quando o sal se usa bem, não se sente o gosto do sal, o sabor do sal…não se sente! Sente-se o sabor de cada refeição: o sal ajuda a que o sabor daquela refeição seja melhor, seja mais conservado mas melhor, mais saboroso. Esta é a originalidade cristã!”

Mensagem do Papa Francisco

“Fazer o bem” é um princípio que une toda a humanidade: foi o que disse o Papa na missa celebrada esta manhã na capela da Casa Santa Marta. Concelebrou com o Santo Padre o Patriarca de Antioquia dos Maronitas, Card. Béchara Boutros Raï. O Evangelho desta quarta fala dos discípulos de Jesus que impedem a uma pessoa fora do grupo de fazer o bem. Os discípulos, explicou o Papa, eram um pouco intolerantes, fechados na ideia de possuírem a verdade. “Isso era errado”, afirmou, e Jesus alarga os horizontes: “O Senhor nos criou à sua imagem e semelhança. Ele faz o bem e todos nós temos no coração este mandamento: faça o bem e não faça o mal. Todos.” O bem não é exclusividade dos católicos. Todos podem e devem fazê-lo, porque este mandamento está dentro de nós. Esta ideia de que alguns não são capazes nos leva à guerra e àquilo que foi feito na história: matar em nome de Deus. “Nós podemos matar em nome de Deus. E isso, simplesmente, é uma blasfêmia.” Francisco recordou que fomos criados filhos com a semelhança de Deus e o sangue de Cristo nos redimiu. “Todos nós devemos fazer o bem. E este mandando creio que seja uma bela estrada rumo à paz. Se nós fizermos o bem aos poucos, lentamente, nos encontraremos lá, fazendo o bem. E assim criaremos a cultura do encontro. Encontrar-se fazendo o bem. Alguém poderia objetar: ‘Mas eu não creio, padre, sou ateu’. Francisco responde: “Faça o bem: nos encontraremos lá.” Não se trata de uma questão de fé, mas de uma obrigação, “uma carteira de identidade que o nosso Pai deu a todos”. E esta foi a oração final do Papa Francisco: “Hoje é Santa Rita, Padroeira das causas impossíveis: peçamos a ela esta graça, de que todos façam o bem e nos encontremos neste trabalho, que é um trabalho de criação, que se parece com a criação do Pai. Um trabalho de família, porque todos somos filhos de Deus. Todos! E Deus nos quer bem, a todos! Que Santa Rita nos conceda esta graça, que parece quase impossível”.

quinta-feira, 14 de março de 2013

Habemus Papam: FRANCISCO Cidade do Vaticano (RV) - "Annuntio vobis gaudium magnum: habemus Papam!” “Eminentissimum ac reverendissimum dominum, dominum, Georgium Marium Sanctae Romanae Ecclesiae Cardinalem Bergoglio, qui sibi nomen imposuit Francisco I. O Cardeal Arcebispo de Buenos Aires, Jorge Mario Bergoglio, 76 anos é o 265° sucessor de Pedro, assumindo o nome de Francisco. Foi eleito no 5° escrutínio no segundo dia do Conclave. Às 20hs12min do dia 13 de março de 2013 o protodiácono Jean-Louis Tauran proclamou a famosa fórmula do Habemus Papam, no balcão Central da Basílica de São Pedro. Às 20h23 o recém-eleito assomou ao balcão central proclamando as seguintes palavras: "Irmãos e Irmãs, boa noite! Vocês sabem que o dever do Conclave era de dar um bispo a Roma. Parece que meus irmãos cardeais foram buscá-lo quase no fim do mundo. Mas, estamos aqui! Vos agradeço pela acolhida, à comunidade diocesana, ao seu bispo. Obrigado!(...aplausos...) Antes de tudo, gostaria de fazer 1 oração pelo nosso bispo emérito Bento XVI (...aplausos...). Rezemos todos juntos por ele, para que Deus o abençoe e Nossa senhora o proteja. (segue a oração do Pai Nosso, da Ave Maria e do Glória ao Pai). E agora comecemos este caminho bispo e povo, bispo e povo. Este é o caminho da Igreja de Roma que é aquela que precede na caridade todas as outras Igrejas. Um caminho de Fraternidade, de amor, de confiança entre nós. Rezemos sempre por nós, um pelo outro, rezemos por todo o mundo, para que exista uma grande fraernidade. Desejo que este caminho de Igreja, que hoje começamos e que me ajudará o meu Cardeal Vigário aqui presente, seja frutuoso para a evangelização desta tão bela cidade. (aplausos). E agora gostaria de dar uma bênção, mas antes vos peço 1 favor. Antes de o bispo abençoar o povo vos peço que vocês rezem ao Senhor para que me abençoe. A oração do povo pedindo a bênção pelo seu bispo. (...apalusos...). Façamos em silêncio esta oração de vocês por mim"! Leia mais: http://paroquiafreimiguelinho.webnode.com.br/ Crie seu site grátis: http://www.webnode.com.br

terça-feira, 12 de fevereiro de 2013

Papas que renunciaram antes do Papa Bento XVI




Segunda, 11 de fevereiro de 2013 16:13

 

 


Papa Ponciano
 
1ª Renúncia: Papa Ponciano. Acredita-se que ocorreu em 235 dC quando este estava em exílio na Sardenha e percebeu que jamais seria solto para voltar ao Vaticano.

Papa Silvério
Outra caso: Papa Silvério também abdicou da Cátedra de Pedro em 537 dC ao ser obrigado pela imperatriz Teodora a se exilar na ilha de Palmaria, também no Mediterrâneo. Quando conseguiu voltar ao Vaticano, a imperatriz já havia colocado outro pontífice em seu lugar, o papa Virgílio. 


Papa João XVIII
Em 1009: Papa João XVIII abdicou pouco antes de sua morte para viver como monge na basílica de São Paulo, em Roma. 

Papa Bento IX
Em 1045: Papa Bento IX acredita-se que foi para beneficiar seu padrinho, João Graciano, que veio a se tornar o papa Gregório VI mas Bento IX foi reempossado dois anos depois.

Papa Celestino V
 
Em 1234: Papa Celestino V fez sua renúncia porque as obrigações da função não lhe permitiam a vida de eremita que almejava.
 
 
Papa Gregório XII

O último papa a renunciar antes de Bento XVI:  Papa Gregório XII em 1415 aos 90 anos.

segunda-feira, 11 de fevereiro de 2013


Bento XVI anuncia a decisão de deixar o cargo. Sede vacante a partir de 28 de fevereiro. Eleição do novo Papa em março

 
Eis as palavras com que Bento XVI anunciou a sua decisão:
Caríssimos Irmãos,convoquei-vos para este Consistório não só por causa das três canonizações, mas também para vos comunicar uma decisão de grande importância para a vida da Igreja. Depois de ter examinado repetidamente a minha consciência diante de Deus, cheguei à certeza de que as minhas forças, devido à idade avançada, já não são idóneas para exercer adequadamente o ministério petrino. Estou bem consciente de que este ministério, pela sua essência espiritual, deve ser cumprido não só com as obras e com as palavras, mas também e igualmente sofrendo e rezando. Todavia, no mundo de hoje, sujeito a rápidas mudanças e agitado por questões de grande relevância para a vida da fé, para governar a barca de São Pedro e anunciar o Evangelho, é necessário também o vigor quer do corpo quer do espírito; vigor este, que, nos últimos meses, foi diminuindo de tal modo em mim que tenho de reconhecer a minha incapacidade para administrar bem o ministério que me foi confiado. Por isso, bem consciente da gravidade deste acto, com plena liberdade, declaro que renuncio ao ministério de Bispo de Roma, Sucessor de São Pedro, que me foi confiado pela mão dos Cardeais em 19 de Abril de 2005, pelo que, a partir de 28 de Fevereiro de 2013, às 20,00 horas, a sede de Roma, a sede de São Pedro, ficará vacante e deverá ser convocado, por aqueles a quem tal compete, o Conclave para a eleição do novo Sumo Pontífice.
Caríssimos Irmãos, verdadeiramente de coração vos agradeço por todo o amor e a fadiga com que carregastes comigo o peso do meu ministério, e peço perdão por todos os meus defeitos. Agora confiemos a Santa Igreja à solicitude do seu Pastor Supremo, Nosso Senhor Jesus Cristo, e peçamos a Maria, sua Mãe Santíssima, que assista, com a sua bondade materna, os Padres Cardeais na eleição do novo Sumo Pontífice. Pelo que me diz respeito, nomeadamente no futuro, quero servir de todo o coração, com uma vida consagrada à oração, a Santa Igreja de Deus.
Vaticano, 10 de Fevereiro de 2013.

sábado, 2 de fevereiro de 2013

UM BRASIL FERIDO


Cidade do Vaticano (RV) –   A semana que passou, para quem trabalha no mundo da informação, foi muito intensa e certamente cheia de emoção e comoção. Certamente, todos os dias temos notícias de mortes, de atentados, de vidas ceifadas em guerras fratricidas, mas quando uma notícia cai no nosso computador ou a recebemos pela televisão ou rádio e fala da morte de mais de 230 jovens, de uma só vez, e num lugar que deveria ser só alegria, então choca, provoca comoção e nos faz pensar. Toda a nação brasileira ficou afetada pelo incêndio ocorrido na cidade de Santa Maria (RS) e que lançou o luto não somente sobre esta cidade universitária, mas sobre todo o Brasil e por que não dizer sobre o mundo inteiro. Com o luto brota a dor, a dor das famílias que perderam seus entes queridos na flor da idade, a dor dos amigos, dos conhecidos e dos desconhecidos. 
A solidariedade tomou conta dos meios de comunicação do país e não só do nosso país. A tragédia foi primeira página em muitos jornais e televisões de meio mundo. Foi uma mobilização em massa. O Papa Bento XVI enviou um telegrama exprimindo a sua tristeza pela morte de tantos jovens.Muitos se interrogam: como foi possível isso acontecer? Aí as respostas, os comportamentos variam muito. Acessei a rede social para ver como os jovens reagiram a esse fato. As reações foram as mais diversas possíveis: da ansiedade ao medo; da indignação à resignação; da raiva ao amor; da infinita tristeza à compaixão. Alguns praguejaram contra as autoridades, outros até mesmo contra Deus. “Como Deus pode permitir uma coisa dessas?”. 
Ao mesmo tempo lendo opiniões e frases dos internautas, pude notar também a grande solidariedade e afeto que todos queriam transmitir aos familiares das vítimas, sentindo-se também eles, de qualquer modo, parte dessas famílias. A corrente de oração que brotou em todas as partes do Brasil e fora dele, nos leva a pensar mais uma vez que em momentos como este, a única âncora de salvação é aquela do mesmo Deus que muitos se interrogam pelo seu silêncio. Um Deus que não está escondido mas sim ao lado dos que sofrem. A outra pergunta a ser feita, e muitos a fizeram, é o “que Deus quer dizer com isso, com o que aconteceu”. Se respondermos na ótica de quem acredita, podemos dizer que Deus quer que cuidemos da nossa juventude, para que ela cresça, viva e se torne o futuro do nosso mundo. Uma juventude muitas vezes violentada nos seus direitos “de ser jovem”, aniquilada pela violência, pela droga, por um futuro que não se descortina.Que este trágico acontecimento de Santa Maria leve a nossa sociedade, mas também a nossa Igreja, os nossos movimentos a não somente fazerem perguntas sobre a nossa juventude, mas sim a produzir respostas que defendam a vida dos nossos jovens, colocando-os como protagonistas do 
presente. Neste ano, a Igreja Católica no Brasil dedica a sua Campanha da Fraternidade ao tema da juventude, no ano em que teremos a Jornada Mundial da Juventude no Rio de Janeiro. 
Certamente é um momento que deve ser aproveitado por todos, católicos e não católicos, para caminhar ainda mais ao lado da nossa juventude, num período da vida que deve ser de alegria, de descobertas, de sonhos, e não de tristezas e incertezas. Os jovens de Santa Maria vão ficar nos nossos corações e nas nossas orações como filhos de um Brasil ferido que deseja celebrar a vida e jamais a morte. (Silvonei José)

domingo, 6 de janeiro de 2013


Ardente de luz

2013-01-06 L’Osservatore Romano
Gostaríamos de saber mais sobre esta vinda laboriosa e inesperada dos Magos, intrépidos e aparentemente ingénuos, que aparecem de repente, e depois se afastarem imediatamente e desaparecerem  no caminho de regresso ao seu país. Gostaríamos de conhecer a proveniência e a identidade, saber o que significa a estrela, tão dócil e benevolente, que surgiu diante dos seus olhos e, depois, guia silenciosa e inteligente e companheira ao longo do caminho. E desejaríamos ainda conhecer a natureza e o sentido daqueles dons extraídos dos cofres. «Mas o evangelista – glosa Inos Biffi – não quer minimamente satisfazer as nossa curiosidades, assim como nos deixa com as nossas perguntas sobre os conteúdos históricos específicos daquela visita». Ele quer ilustrar-nos uma mensagem: quando Jesus nasceu acendeu-se uma estrela que é uma chamada silenciosa e irresistível de homens distantes, mas disponíveis e atentos a Cristo. Pregava são Bernardo: «Olhai e vede como é penetrante a vista da fé; considerai com muita atenção que olhos de lince tem quem reconhece o Filho de Deus quando bebe o leite, quem o reconhece suspenso numa cruz e agonizante. O ladrão foi confessado no patíbulo, os Magos na estrela; ele crucificado, outro envolto nos panos. Não vos incomoda, oh Magos, a morada humilde da manjedoura, o pobre berço? Não vos escandaliza a presença de uma pobre mãe, nem a infância de um menino que bebe o leite?». Há sempre  desproporção entre aquilo que a fé vê imediatamente e aquilo em que, com confiança, acredita. E a alegria messiânica, que começa aqui e pode conviver estranhamente com a paixão.  Teresa de Lisieux fez esta reflexão singular sobre a estrela: «Por vezes, quando o céu está coberto de nuvens, a noite sem luzes é triste para Jesus, na escuridão. Para confortar Jesus, torna-te ardente de luzes, brilha com  todas as tuas virtudes, como uma estrela».
Na realidade, não sabemos nem sequer o número dos Magos; Mateus, referindo-se ao episódio da adoração recorda somente que «chegaram a Jerusalém uns Magos vindos do Oriente» (2, 1) sem especificar o número. O facto que a iconografia tradicional e a literatura posterior proponham um número ternário deriva presumivelmente dos dons que levaram ao Menino: «Depois abrindo os cofres, ofereceram-Lhe presentes: ouro, incenso e mirra». Com efeito, se já na idade antiga, as representações iconográficas mostram três Magos, como na célebre capela grega de Priscila do século III,  não faltam casos nos quais os ofertantes variam de dois, quatro e até seis, talvez por razões de simetria pura. Em volta destas figuras criou-se, na idade média, e nomeadamente, no século XII,  uma lenda fabulosa que atribui os nomes de Gaspar, Belchior e Baltazar aos reis, não obstante um grafite encontrado no complexo monástico egípcio de Kellia, que pode ser atribuído ao século VII-VIII, já parece mencionar os nomes de Gaspar, Belchior e Bathesalsa.

Papa reza pelo Ano da Fé: para anunciar Jesus com alegria não se necessita de especialistas

2013-01-05 Rádio Vaticana
Cidade do Vaticano (RV) - Que no Ano da Fé os cristãos "possam aprofundar o conhecimento do mistério de Cristo e testemunhar com alegria o dom da fé n'Ele". Esse é o pedido que o Santo Padre confia à oração da Igreja em sua intenção geral para o mês de janeiro.
Nestes últimos meses, sobretudo nas audiências gerais, o Papa tem desenvolvido uma reflexão específica sobre o Ano da Fé e sobre as responsabilidades que ele comporta para os cristãos.
Partir para a batalha em clara situação de desvantagem é algo que não deixa tranqüilo nenhum general, nem o último dos infantes. A não ser que sabia poder contar com um aliado de desmedida superioridade.
O Ano da Fé proclamado por Bento XVI quase três meses atrás contém para quem crê o espírito desse desafio: um combate em condições de ambiente sempre mais hostil – portanto, com as dificuldades, e também os temores induzidos pela inferioridade numérica –, mas com a certeza de que quem combate lado a lado tem a força da onipotência.
Não por acaso, ao abrir o Ano da Fé, o Pontífice impeliu os cristãos para os "desertos do mundo contemporâneo", isto é, para onde a terra da fé apresenta as rachaduras da infertilidade inclusive entre os batizados:
"O cristão hoje muitas vezes não conhece nem mesmo o núcleo central da própria fé católica, do Credo, de modo a deixar espaço para um certo sincretismo e relativismo religioso, sem clareza sobre as verdades sobre as quais crer e sobre a singularidade salvífica do cristianismo. (...) Ao invés, devemos voltar a Deus, ao Deus de Jesus Cristo, devemos redescobrir a mensagem do Evangelho, fazê-la entrar de modo mais profundo em nossas consciências e em nossa vida cotidiana." (Audiência geral, 17 de outubro de 2012)
Muitas vezes, afirma o Pontífice, a fé "é vivida de modo passivo e privado" e esse modo de ser está na base da "fratura" que existe "entre fé e vida". No entanto, reiterara recentemente Bento XVI, para tornar eficaz o anúncio de Jesus aos outros, jamais foi preciso o pedestal de uma cátedra:
"De fato, a evangelização não é obra de alguns especialistas, mas de todo o Povo de Deus, sob a condução de Pastores. Todo fiel, na e com a comunidade eclesial, deve sentir-se responsável pelo anúncio e pelo testemunho do Evangelho." (Discurso à Congregação para os Bispos, 20 de setembro de 2012)
Ademais, na intenção de oração, o Papa utiliza uma palavra que muitas vezes passa inobservada ou é considerada uma espécie de "ornamento" estético ao conceito da evangelização, ou seja, o fato de testemunhar com "alegria". Para abrir uma brecha nos muros de indiferença em relação a Deus, o Pontífice disse ser necessários cristãos "entusiastas da própria fé". Um entusiasmo, porém, que não é ingênuo:
"A alegria cristã brota desta certeza: Deus está conosco, está comigo, na alegria e na dor, na saúde e na doença, como amigo e esposo fiel. E essa alegria permanece também na provação, no próprio sofrimento, e permanece não superficialmente, mas no profundo da pessoa que se entrega a Deus e n'Ele confia." (Angelus, 16 de dezembro de 2007)
Esclarecido o contexto do desafio – e a natureza da confiança a carregar no coração –, Bento XVI enumerou as armas com as quais combatê-lo:
"Nem cajado, nem alforje, nem dinheiro, nem duas túnicas – como diz o Senhor aos Apóstolos enviando-os em missão –, mas o Evangelho e a fé da Igreja, dos quais os documentos do Concílio Ecumênico Vaticano II são expressão luminosa." (Abertura do Ano da Fé, 11 de outubro de 2012)
(RL)

Papa na Missa da Epifania: os bispos sejam humildes e corajosos diante dos dogmas intolerantes do agnosticismo

2013-01-06 Rádio Vaticana
Cidade do Vaticano (RV) - A Epifania é a manifestação "da bondade de Deus e do seu amor pelos homens": foi o que afirmou o Papa na missa por ele presidida esta manhã, na Basílica de São Pedro, no Vaticano, na Solenidade da Epifania do Senhor.
Durante a celebração, o Pontífice fez a ordenação de quatro novos bispos: Dom Georg Gänswein, secretário particular de Bento XVI e prefeito da Casa Pontifícia; Dom Vincenzo Zani, secretário da Congregação para a Educação Católica; e os núncios apostólicos, Dom Fortunatus Nwachukwu e Dom Nicolas Thevenin.
Na homilia, o Papa convidou os bispos a imitarem os Magos, homens que partiram rumo ao desconhecido, "homens inquietos movidos pela busca de Deus e da salvação do mundo; homens à espera, que não se contentavam com seus rendimentos assegurados e com uma posição social provavelmente considerável, mas andavam à procura da realidade maior".
"Talvez fossem homens eruditos – continuou o Santo Padre –, que tinham grande conhecimento dos astros e, provavelmente, dispunham também duma formação filosófica; mas não era apenas saber muitas coisas que queriam; queriam, sobretudo, saber o essencial, queriam saber como se consegue ser pessoa humana. E, por isso, queriam saber se Deus existe, onde está e como é; se Se preocupa conosco e como podemos encontrá-Lo."
"Queriam não apenas saber; queriam conhecer a verdade acerca de nós mesmos, de Deus e do mundo. A sua peregrinação exterior era expressão deste estar interiormente a caminho, da peregrinação interior do seu coração. Eram homens que buscavam a Deus e, em última instância, caminhavam para Ele; eram indagadores de Deus."
A este ponto de sua homilia, o Santo Padre perguntou-se "Como deve ser um homem a quem se impõem as mãos para a Ordenação episcopal na Igreja de Jesus Cristo?" Podemos dizer - afirmou:
"Deve ser, sobretudo, um homem cujo interesse se dirige para Deus, porque só então é que ele se interessa verdadeiramente também pelos homens. E, vice-versa, podemos dizer: um Bispo deve ser um homem que tem a peito os outros homens, que se deixa tocar pelas vicissitudes humanas. Deve ser um homem para os outros; mas só poderá sê-lo realmente, se for um homem conquistado por Deus: se, para ele, a inquietação por Deus se tornou uma inquietação pela sua criatura, o homem."
Retomando a descrição dos Magos, Bento XVI ressaltou, neles, em particular, a coragem e a humildade da fé:
"Era preciso coragem a fim de acolher o sinal da estrela como uma ordem para partir, para sair rumo ao desconhecido, ao incerto, por caminhos onde havia inúmeros perigos à espreita. Podemos imaginar que a decisão destes homens tenha provocado sarcasmo: o sarcasmo dos ditos realistas que podiam apenas zombar das fantasias destes homens. Quem partia baseado em promessas tão incertas, arriscando tudo, só podia aparecer como ridículo. Mas, para estes homens tocados interiormente por Deus, era mais importante o caminho segundo as indicações divinas do que a opinião alheia. Para eles, a busca da verdade era mais importante que a zombaria do mundo, aparentemente inteligente."
Nessa linha, Bento XVI traçou a missão do bispo em nosso tempo: "A humildade da fé, do crer juntamente com a fé da Igreja de todos os tempos, há-de encontrar-se, vezes sem conta, em conflito com a inteligência dominante daqueles que se atêm àquilo que aparentemente é seguro. Quem vive e anuncia a fé da Igreja encontra-se em desacordo também, em muitos aspectos, com as opiniões dominantes precisamente no nosso tempo".
"O agnosticismo, hoje largamente imperante, tem os seus dogmas e é extremamente intolerante com tudo o que o põe em questão, ou põe em questão os seus critérios. Por isso, a coragem de contradizer as orientações dominantes é hoje particularmente premente para um Bispo."
O Santo Padre prosseguiu traçando a missão do Bispo em nosso tempo afirmando que ele te de ser valoroso:
"E esta valentia ou fortaleza não consiste em ferir com violência, na agressividade, mas em deixar-se ferir e fazer frente aos critérios das opiniões dominantes. A coragem de permanecer firme na verdade é inevitavelmente exigida àqueles que o Senhor envia como cordeiros para o meio de lobos. «Aquele que teme o Senhor nada temerá», diz Ben Sirá (34, 14). O temor de Deus liberta do medo dos homens; faz-nos livres!"
A este ponto, Bento XVI recordou um episódio do início do cristianismo, narrado por São Lucas nos Atos dos Apóstolos, em que o sinédrio chamou os apóstolos e os flagelou. Proibindo-os de pregar o nome de Jesus, em seguida os libertou. Lucas afirma que eles foram embora cheios de alegria por terem sido julgados dignos de sofrer vexames por causa do Nome de Jesus.
Como os apóstolos – prosseguiu o Pontífice –, assim os bispos, seus sucessores, "devem esperar ser, repetidamente e de forma moderna, flagelados, se não cessam de anunciar alto e bom som a Boa-Nova de Jesus Cristo; hão-de então alegrar-se por terem sido considerados dignos de sofrer ultrajes por Ele. Naturalmente queremos, como os Apóstolos, convencer as pessoas e, neste sentido, obter a sua aprovação; naturalmente não provocamos, antes, pelo contrário, convidamos todos a entrarem na alegria da verdade que indica a estrada".
"Contudo o critério ao qual nos submetemos não é a aprovação das opiniões dominantes; o critério é o próprio Senhor. Se defendemos a sua causa, conquistaremos incessantemente, pela graça de Deus, pessoas para o caminho do Evangelho; mas inevitavelmente também seremos flagelados por aqueles cujas vidas estão em contraste com o Evangelho, e então poderemos ficar agradecidos por sermos considerados dignos de participar na Paixão de Cristo."
Os Magos – concluiu Bento XVI – seguiram a estrela e assim chegaram a Jesus, à grande Luz que, vindo ao mundo, ilumina todo o homem (cf. Jo 1, 9). Como peregrinos da fé, os Magos tornaram-se eles mesmos estrelas que brilham no céu da história e nos indicam a estrada.
Assim, também os bispos, se viverem com Cristo, ligados a Ele novamente no Sacramento, então se tornarão sábios; "astros que vão à frente dos homens e indicam-lhes o caminho certo da vida". (RL)

quarta-feira, 2 de janeiro de 2013

No Angelus Papa explica

No Angelus Papa explica "quem são os construtores de paz"

2013-01-01 Rádio Vaticana
Cidade do Vaticano (RV) - Ao meio-dia, após a celebração da Missa pela Solenidade de Maria, Mãe de Deus, Bento XVI assomou à janela de seus aposentos – que dá para a Praça de São Pedro – para conduzir a primeira Oração Mariana do Angelus de 2013, neste dia em que também é celebrado o Dia Mundial da Paz.
O Santo Padre saudou a todos, desejando que neste primeiro dia de 2013 “chegue a cada homem e a cada mulher do mundo a benção de Deus”. “E o faço, - diz Bento XVI , - com a antiga fórmula contida na Sagrada Escritura: ‘O Senhor te abençoe e te guarde. O Senhor faça brilhar sobre ti a sua face e se compadeça de ti. O Senhor volte para ti o seu rosto e te dê a paz’ ”.O Santo Padre iniciou sua reflexão recordando a luz de Jesus que passou a iluminar o mundo: “como a luz e o calor do sol são uma benção para a terra, assim a luz de Deus o e é para a humanidade, quando Ele faz brilhar sobre ela a sua face. Isto aconteceu com o nascimento de Jesus Cristo. Deus fez resplandecer para nós a sua face: inicialmente de um jeito muito humilde, escondido – em Belém somente Maria e José e alguns pastores foram testemunhas desta revelação – mas pouco a pouco, como o sol que do amanhecer chega ao meio-dia, a luz de Cristo cresceu e se difundiu por toda a parte”.
Então, Bento XVI, referindo-se ao canto de glória dos anjos, saudando o nascimento do Salvador, enfatizou qual deve ser a atitude dos cristãos: “este é o canto dos cristãos debaixo do céu; um canto que dos corações e dos lábios passa a gestos concretos, nos atitudes de amor que constroem diálogo, compreensão e reconciliação".O Santo Padre recordou que oito dias após o Natal, “quando a Igreja, como a Virgem Maria Mãe de Deus, mostra ao mundo o recém-nascido Jesus, Príncipe da Paz”, é celebrado o Dia Mundial da Paz. E sublinhou: “aquele Menino, que é o Verbo de Deus feito carne, veio para trazer aos homens uma paz que o mundo não pode dar. A sua missão é derrubar o ‘muro da inimizade’ ”.
Continuando sua reflexão, o Santo Padre destacou que entre as bem-aventuranças proclamadas por Jesus, às margens do Mar da Galiléia, está: “bem-aventurados os construtores da paz, porque serão chamados filhos de Deus”, que é o tema do Dia Mundial da Paz deste ano. Então o Pontífice explicou quem são os construtores da paz: “São todos aqueles que, no dia-a-dia, procuram vencer o mal com o bem, com a força da verdade, com as armas da oração e do perdão, com o trabalho honesto e bem realizado, com a pesquisa científica a serviço da vida, com as obras de misericórdia físicas e espirituais. Os operadores de paz são tantos, - destacou - mas trabalham silenciosamente. Como o fermento na massa, fazem crescer a humanidade segundo os desígnios de Deus”.
Por fim, Bento XVI pediu a Maria Santíssima, Mãe de Deus, “que nos abençoe, como uma mãe abençoa os seus filhos que devem partir para uma viagem. Um ano novo é como uma viagem – diz Bento XVI -: com a luz e a graça de Deus, possa ser um caminho de paz para cada ser humano e para cada família, para cada país e para o mundo inteiro”.Após o Angelus, Bento XVI felicitou a todos pelo novo ano que se inicia. Dirigiu também seus votos ao Presidente da Itália e a toda a nação italiana. Saudou afetuosamente os jovens vindos a Roma para o Encontro Europeu de Taizé e exprimiu suas proximidade espiritual às diversas iniciativas eclesiais por ocasião do Dia Mundial da Paz.
Entre as felicitações de Ano Novo em diversas línguas, Bento XVI se dirigiu também aos povos de língua portuguesa: “a todos os povos e nações de língua portuguesa, aos seus lares e comunidades, aos seus governantes e instituições, desejo a paz do Céu que hoje vemos reclinada nos braços da Virgem Mãe. Feliz Ano Novo!” (JE)

Bento XVI: devemos confiar em Deus, renovando a fé na sua presença e ação na história

Bento XVI: devemos confiar em Deus, renovando a fé na sua presença e ação na história

2013-01-02 Rádio Vaticana
Cidade do Vaticano (RV) - Bento XVI encontrou-se na manhã desta quarta-feira, na Sala Paulo VI, no Vaticano, com fiéis e peregrinos oriundos de váras partes do mundo para a primeira audiência geral deste 2013.
O Santo Padre dedicou a catequese ao mistério que celebramos neste tempo de Natal: o Filho de Deus, que por obra do Espírito Santo, se encarnou no seio da Virgem Maria.
Discorrendo sobre o mistério da encarnação do Verbo, o Papa evidenciou a centralidade de Maria, que "pertence de modo irrenunciável à nossa fé no Deus que age, que entra na história".
O Pontífice iniciou sua catequese afirmando que o Natal do Senhor ilumina mais uma vez com a sua luz as trevas que muitas vezes rodeiam o nosso mundo e o nosso coração, trazendo esperança e alegria.
Partindo da pergunta que emerge novamente sobre a origem de Jesus, a mesma que faz o Procurador Pôncio Pilatos durante o processo: "De onde vens?", o Santo Padre afirmou tratar-se de uma origem bem clara:
"Nos quatro Evangelhos emerge com clareza a resposta à pergunta "de onde" vem Jesus: a sua verdadeira origem é o Pai; Ele provém totalmente d'Ele, mas num modo diferente de qualquer profeta ou enviado por Deus que o precedeu."
Citando o Credo, o Papa – prosseguindo sua reflexão sobre a origem de Jesus – recordou a passagem "que foi concebido pelo poder do Espírito Santo, nasceu da Virgem Maria", para mais à frente afirmar que sem ela a entrada de Deus na história da humanidade não teria alcançado o seu fim e não teria tido lugar aquilo que é central em nossa Profissão de fé: Deus é um Deus conosco.
Assim, frisou o Pontífice, "Maria pertence de modo irrenunciável à nossa fé no Deus que age, que entra na história. Ela coloca à disposição toda a sua pessoa, <<aceita>> tornar-se lugar da habitação de Deus".
"Por vezes, também no caminho e na vida de fé podemos perceber a nossa pobreza, a nossa inadequação diante do testemunho que devemos oferecer ao mundo. Mas Deus escolheu justamente uma humilde mulher, num vilarejo desconhecido, numa das províncias mais distantes do grande império romano."
Em seguida, o Santo Padre fez uma exortação:
"Mesmo em meio às dificuldades mais árduas a serem enfrentadas, devemos sempre ter confiança em Deus, renovando a fé na sua presença e ação em nossa história, como na de Maria. Nada é impossível a Deus! Com Ele a nossa existência caminha sempre num terreno seguro e está aberta a um futuro de firme esperança."
"Somente se nos abrirmos à ação de Deus, como Maria, somente se confiarmos a nossa vida ao Senhor como a um amigo de quem confiamos totalmente, tudo muda, a nossa vida adquire um novo sentido e um novo rosto: o rosto de filhos de um Pai que nos ama e jamais nos abandona", observou o Pontífice.
Bento XVI concluiu sua catequese afirmando que "mesmo se por vezes nos sentimos frágeis, pobres, incapazes diante das dificuldades e do mal do mundo, o poder de Deus age sempre e opera maravilhas justamente na fraqueza. A sua graça é a nossa força" (cfr 2 Cor 12,9-10).
Após a sua catequese – proferida em italiano –, o Santo Padre fez um resumo da mesma em várias línguas, saudando os diversos grupos de fiéis e peregrinos presentes. Eis o que disse aos de em português:
"Queridos irmãos e irmãs,
Este tempo de Natal dá resposta a um mistério grande e impressionante que se esconde no Menino de Belém: Como pode um ser assim frágil e pequenino ter trazido ao mundo uma novidade tão radical, que mudou o rumo da história? – Pode, porque é o Filho de Deus feito homem: «Nascido do Pai antes de todos os séculos, (…) encarnou pelo Espírito Santo, no seio da Virgem Maria». N’Ela acontece uma nova criação: com a encarnação de Jesus, o Espírito divino cria um novo início da humanidade. Acreditamos que nada é impossível a Deus! A fé dá vida a uma novidade tão forte, que produz um segundo nascimento. De fato, no início do nosso ser de cristãos, está o Baptismo que nos faz renascer como filhos de Deus. Mas, só abrindo-nos à ação de Deus como Maria, só entregando a nossa vida ao Senhor como a um Amigo de quem nos podemos fiar, é que tudo muda, a nossa vida ganha uma nova grandeza: a de filhos do Pai do Céu, que nos ama e nunca nos abandona.
A minha saudação amiga para todos os peregrinos de língua portuguesa, desejando que a luz do Salvador divino resplandeça intensamente nos vossos corações, para serdes semeadores de esperança e construtores de paz nas vossas famílias e comunidades. Com estes votos de um Ano Novo sereno e feliz para todos, de coração vos abençoo."
O Santo Padre despediu-se dos presentes concedendo a todos a sua Bênção apostólica. (RL)

sexta-feira, 8 de junho de 2012


A mais perfeita das criaturas de Deus


"Deus ajuntou todas as águas e fez o mar. Deus juntou todas as graças e fez Maria."

Ave Maria! Cheia de graça! Quando dizemos que Maria era cheia de graça, queremos dizer repleta. Essa saudação é de uma profundidade espiritual muito grande. Quer dizer que Nossa Senhora é repleta do Espírito Santo. Colocando em outras palavras, nenhuma criatura está acima de Maria. De todas as coisas criadas por Deus, nenhuma está acima da nossa Mãe!

Concebida sem o pecado original, sacrário vivo do Amor! Maria é tão grandiosa, mas se fez tão pequena! De todas as mulheres que Deus podia escolher para ser a mãe do Seu Filho, Maria era a mais humilde. Mulher pobre, mas caridosa e de coração puro. Bendita entre as mulheres, bendita entre todas as criaturas! Mãe obediente, fiel ao seu Senhor. Aceitou a vontade de Deus, sem questionar. Aceitou desistir dos seus sonhos, de tudo o que tinha, apenas para cumprir a vontade do Pai. E a cumpriu porque O amava. Serva obediente! Maria, que deu amor e carinho a Jesus! Maria, que fez da sua vida um serviço a Deus, um serviço a Cristo. Ela que tinha aquele Menino como o seu maior tesouro, o seu tudo. Encheu-se de preocupação quando Ele se perdeu no Templo. Confiou sem limites, tinha uma fé inabalável. A pedido dela que Jesus fez seu primeiro milagre. Maria tinha certeza de que Ele agiria. Santa Mãe de Deus, ensina-nos a ter uma fé como a sua! Sofreu com as ofensas de morte lançados à Jesus pelos fariseus e doutores da lei. Nunca esteve com Cristo nos momentos de glória D'Ele, mas sempre esteve nos momentos de Suas tribulações. Não se desesperava. Guardava tudo no coração. Teve transpassada a alma, ao ver o seu Jesus flagelado, desfigurado e morto na cruz. Ela, que fez da sua vida um serviço àquele Menino. e viu o grande tesouro da sua vida morrer como o menor dos homens. Mas continuou fiel a Deus. Perseverou. Eternamente a serva do Pai. E mantendo o seu "sim" ao Pai, viu a glória do Cristo Vencedor, do Cristo ressuscitado. O seu Deus, o seu menino. Espelhou, na sua santidade, toda a luz do Pai. Sejamos como ela.




Doloroso processo de purificação



Uma vez, ouvi do Ricardo Sá, em uma das suas formações, uma história que ele conta referente à passagem de Malaquias 3, na qual é feita uma analogia entre Deus e um fundidor.Nela, ele conta que algumas pessoas foram verificar o trabalho de um fundidor, o que ele faz, e como se procede durante um processo de purificação de um metal precioso. O fundidor coloca um pedaço de prata bruta em uma grande ‘colher’ e o coloca dentro de um forno a mais ou menos 900ºC. E ali fica sentado apenas olhando, parecendo até mesmo uma atitude passiva daquele homem, pois a única coisa que faz é observar. E ao ser perguntado como sabe a hora que o metal está purificado, veio a resposta: “Eu fico olhando para o metal e sei que já está purificado quando eu olhar para ele e ver a minha imagem refletida nele”.
É exatamente assim que acontece conosco! Durante as provas, nos sentimos num fogo de 900ºC e a sensação que temos é de que Deus nos abandonou. Quanto engano! É exatamente nesses momentos que Deus se inclina até nós e volta seu olhar compassivo e misericordioso para nós, olhando-nos com Amor, mas esse olhar não é passivo. O olhar do Senhor vem acompanhado de sua força que nos faz superar todas as dificuldades.
Eu já vivi muitas experiências assim e creio que você também, nas quais, durante as provas da vida, nos encontramos sem forças, sem direção, mas como que ‘de repente’ encontramos em nós uma força que não sabemos de onde vem, mas que nos faz transcender a todas as dificuldades. E aqueles problemas, que antes pareciam instransponíveis, insuportáveis, já nem existem mais!
Mas fica a certeza de que quando estamos em Deus nada pode nos derrubar! Os ventos podem até vir, e eles vêm mesmo, mas não nos abalam. Precisamos ser como os bambus que se inclinam com o vento, e a sensação que temos é que eles vão quebrar, mas não quebram, pois suas raízes são profundas e não são arrancadas com qualquer ventania.
E é assim que temos de caminhar, com confiança filial, na certeza de um Deus que é Pai e que por mais difícil que pareçam as situações, em que vivemos, elas não são o fim para nós, mas são um meio para Deus nos fazer melhores, mais humildes, mais coerentes com a nossa vida.
Então, dia a dia, vamos crescendo como “gente”, nos tornando mais humanos, aprendendo a lidar com as ‘novidades’ que a cada dia se apresentam diante de nós, como a dor, o sofrimento, as doenças, o desemprego…Por isso, nada mais ganha um peso insuportável, porque aprendemos a dar um sentido novo às coisas e tudo ganha um significado. Então, os sofrimentos são encarados como visitas de Deus na nossa história, e quando Ele passa, nada permanece o mesmo, e a cada situação de dor encontramos uma grande chance de nos tornamos melhores.

Meu irmão, minha irmã, na hora do fogo: CORAGEM! Não desanime, você tem um Deus que é a seu favor, que não o desampara! É a certeza da fé que nos faz caminhar.
Deixo agora uma promessa de Deus para que você se apóie nela, e caminhe na certeza de que em Deus você é mais que vencedor!

“Não tendes sido provados além do que é humanamente suportável. DEUS É FIEL! E não permitirá que sejais tentados acima de vossas forças. Pelo contrário, junto com a provação Ele providenciará o bom êxito, para que possais suportá-la” (I Cor 10,13).


Que Deus nos abençoe nessa caminhada!

Estamos juntos!

Com carinho,

Gisele Pires, missionária CN BSB

 

O sim de Maria



"São Paulo diz que "por meio de um só homem o pecado entrou no mundo, e pelo pecado, a morte" (Rm 5,12). E que: "pela desobediência de um só homem, todos se tornaram pecadores, assim, pela obediência de um só, todos se tornarão justos." (v.19). Mas a desobediência de Adão foi precedida pela de Eva; por isso Deus precisou de uma Nova Eva que lhe fosse obediente, e como disse Santo Irineu, pela sua obediência "desatasse o nó da desobediência de Eva". Essa nova Eva é Maria.

Jesus, pela Sua obediência ao Pai, desatou o nó da desobediência de Adão. "Foi obediente até a morte e morte de cruz" (Fl 2, 6-8). Esse "aniquilamento" de Jesus desatou o nó da soberba e da desobediência de Adão.
Eva disse "não" a Deus, Maria Lhe disse um sim incondicional! Quando o Arcanjo Gabriel lhe anunciou que ela era a "eleita de Deus", sua resposta foi imediata: "Eis aqui a serva do Senhor, faça-se em mim segundo a Tua palavra" (Lc, 1, 38). Essas palavras de Maria mostram uma obediência radical a Deus, independente do que Deus pudesse querer para ela. Obediência perfeita. Foi como se entregasse um cheque em branco nas mãos de Deus. Estava destruído o "não" de Eva; o verbo de Deus poderia então se encarnar para salvar a humanidade. Maria era obediente porque era humilde, a mais humilde mulher que Deus encontrou em Israel. E durante toda a sua vida ela foi fiel ao "sim" que deu a Deus. Não viveu para si, mas apenas para Deus. De imediato foi servir a Isabel que esperava o grande profeta João Batista, o precursor do Senhor, foi submissa a José, ofereceu seu Filho no Templo, como mandava a Lei de Moisés, e logo ouviu a terrível profecia de Simeão que uma espada de dor transpassaria a sua alma. Maria viveu obediente sob o anúncio dessa espada; sabia que sua vida não seria fácil. Logo teve de fugir com José para o Egito para livrar o Menino das garras de Herodes; deixou sua casa, seu país, e foi para o exterior até que o malvado tivesse morrido.

Preparou o seu Filho, segundo a Lei de Deus, para ser o Salvador da humanidade. Acompanhou-O sempre em Suas missões; a seu pedido Ele fez o primeiro milagre; ouviu as ofensas e promessas de morte lançadas contra Ele por parte dos fariseus e doutores da lei; e quando chegou a hora amarga da paixão, acompanhou o seu Filho até o Calvário. Viu-O flagelado, coroado de espinhos, condenado como um facínora carregando uma cruz; e viu-O morrer pendurado no madeiro. Não se desesperou, não desanimou, ficou com Ele até o fim; manteve o seu "sim". Viu seu Filho ressuscitado, vencer a morte e o pecado e nos dar a vida. o "sim" de Maria venceu o "não" de Eva. Faça o mesmo."


Professor Felipe Aquino

terça-feira, 8 de maio de 2012

Amai-vos como Eu vos amei


Não existe uma pessoa que não ame. Muda o objeto que é amado, mas faz parte da natureza humana voltar-se, no amor, para o que é desejado e buscado. Pode parecer muito simples, mas também a capacidade de amar vem a ser educada, num processo de formação que envolve a vida inteira. Mal formada, a inata capacidade para amar pode chegar inclusive à destruição da realidade que é amada. Trata-se de uma força imensa, plantada por Deus nos corações humanos. Ela vem do Céu, para se implantar e multiplicar-se no bem que pode ser feito na terra e se perpetuará na eternidade.
O amor é um sentimento? Envolve, sim, os sentidos, mas na compreensão cristã, que perpassa a Sagrada Escritura e a experiência secular da Igreja, é muito mais do que um sentimento. Antes, é um ato de inteligência e de vontade. Basta recordar a realidade do martírio, presente em toda a história da Igreja, na qual alguém se dispõe a superar o instinto primordial de defesa da própria vida, para entregá-la pelo bem dos outros, como resultado de sua escolha de vida no seguimento do Evangelho. Existem também situações de pessoas que, mesmo sem conhecimento do Evangelho, chegam a entregar-se pelo bem dos outros, pela causa da vida e da dignidade humana. Tais gestos fazem compreender a possibilidade de uma escolha radical, que orienta todas as energias humanas para o que não se vê nem se pode comprovar, senão pelo testemunho!
“Ouve, Israel! O Senhor nosso Deus é o único Senhor. Amarás o Senhor teu Deus com todo o teu coração, com toda a tua alma e com todas as tuas forças. E trarás gravadas no teu coração todas estas palavras que hoje te ordeno. Tu as repetirás com insistência a teus filhos e delas falarás quando estiveres sentado em casa ou andando a caminho, quando te deitares ou te levantares” (Dt 6,4). A primeira e decisiva opção na vida há de ser esta, como uma veste interior, que envolve e orienta todas as outras decisões: escolher Deus como tudo da própria existência.
O resumo da lei de Deus, expressa o Decálogo, se encontra na lapidar afirmação: “Amar a Deus sobre todas as coisas e ao próximo como a si mesmo”. Mas foram necessários muitos séculos e, mais do que tudo, a revelação que vem do alto, para que tal mandamento viesse a ser compreendido. Aliás, foi preciso que o Pai do Céu enviasse seu Filho, como vítima de reparação por nossos pecados, para a humanidade entender o amor (1 Jo 4,7-10) e sua medida, que é justamente amar sem medida.
O amor ao próximo suscitou muitas perguntas. Afinal, o próximo é quem está perto de mim? Para povos que vagavam por desertos ou se sentiam ameaçados pelos potenciais inimigos, o estrangeiro é também próximo? Como tratar quem é diferente e incomoda? Jesus Cristo, amor do Pai que se faz carne no meio da humanidade, aproxima o amor do próximo ao amor de Deus, dizendo que o segundo é semelhante ao primeiro mandamento! Próximo vem a ser, para o Senhor, aquele de quem nos aproximamos e não apenas quem vem pedir qualquer ajuda: “Na tua opinião – perguntou Jesus –, qual dos três foi o próximo do homem que caiu nas mãos dos assaltantes?” Ele respondeu: “Aquele que usou de misericórdia para com ele”. Então Jesus lhe disse: “Vai e faze tu a mesma coisa” (Lc 10, 36-37). Conhecemos o verdadeiro Bom Samaritano, o próprio Jesus, que veio percorrer as estradas do mundo, tomando a iniciativa de vir em socorro da humanidade.
Mas Jesus guarda a pérola de seu amor a ser revelada no ambiente especial da última Ceia: “Este é o meu mandamento: amai-vos uns aos outros, assim como eu vos amei. Ninguém tem amor maior do que aquele que dá a vida por seus amigos” (Jo 15, 12-13). Aqui está um ponto de chegada, nascido do alto e que antecipa a realidade do Céu aqui na terra! Somos feitos para esta qualidade de amor!
Ainda que devamos amar a todos, sem distinção, cada cristão é chamado a ter um espaço de convivência, no qual possa declarar, com gestos e palavras, sua disposição para dar a vida e receber a vida doada. Nisto todos conhecerão que somos discípulos de Cristo (Jo 13,35). Pode ser a família, e quem dera que nossas famílias chegassem a esse ponto! Pode ser a experiência de uma Comunidade cristã viva, e para lá havemos de caminhar. Uma amizade sincera e pura proporciona esta declaração de amor. É uma potência indescritível de transformação da vida das pessoas. É necessário olhar ao nosso redor, pois existem, sim, pessoas, comunidades e grupos que oferecem este testemunho!
Nos mistérios da Páscoa, celebrados pela Igreja, Deus nos dá de presente esta capacidade de amar. De nossa parte, resta corresponder aos dons de Deus (Cf. Oração do dia do VI Domingo da Páscoa). Cada resposta e cada ato de amor a Deus e ao próximo contribuirão para que o mundo, sem deixar de ser mundo, seja mais parecido com o Céu!
Dom Alberto Taveira Corrêa
Arcebispo Metropolitano de Belém

sexta-feira, 4 de maio de 2012


 A fortaleza do Bom Pastor



Por Dom Alberto Taveira
Arcebispo de Belém/PA
Assessor Eclesiástico da RCCBRASIL


Os Bispos do Brasil, reunidos recentemente em Assembleia, mais uma vez se debruçaram sobre o valor infinito da Palavra de Deus, desejando transmiti-la sempre e com crescente profundidade ao povo de Deus. A Palavra de Deus é fonte inesgotável de vida para toda a humanidade. Como sempre faz, a Igreja quer empreender de novo, com crescente zelo, o anúncio da Palavra, que tem seu lugar privilegiado, para animar a vida de todos e o serviço apostólico a ela confiado. A chave que abre a porta da Escritura é Nosso Senhor Jesus Cristo, com sua morte e ressurreição, o mistério pascal que celebramos nos tempos que correm. Amar e conhecer a Cristo é nosso dever, nossa honra e nossa alegria, deixando-nos provocar por Ele!
A presença de Jesus suscitou e suscitará sempre interrogações e muita perplexidade. Nós o sabemos verdadeiro Deus e verdadeiro homem e podemos encontrar, além da graça redentora que só pode chegar através daquele que é Caminho, Verdade e Vida, a referência de valores a serem assumidos para uma vida plenamente humana e digna. A Igreja nos convida a olhar sempre para o Senhor, seguindo-o de perto, para fazer tudo o que disser!
Aproximemo-nos dele e da riqueza de sua personalidade. Em Nazaré, onde Jesus fora criado, as pessoas se interrogam a seu respeito: “De onde lhe vêm essa sabedoria?” (Mt 13, 54). Noutra ocasião, “surgiu uma divisão entre o povo por causa dele. Alguns queriam prendê-lo, mas ninguém lhe pôs as mãos. Os guardas então voltaram aos sumos sacerdotes e aos fariseus, que lhes perguntaram: Por que não o trouxestes? Responderam: Ninguém jamais falou como este homem” (Jo 7,43-46). Suas palavras, mais doces do que o mel, atraem as pessoas, mesmo quem tem a tarefa de prendê-lo. Tantas vezes quantas forem lidas, acolhidas e vividas, nelas se encontra a vida eterna. Seu som se espalha e ecoa por todo o universo.
Se buscarmos outro valor, como a beleza, aqui está: "Tu és o mais belo entre os filhos dos homens, sobre teus lábios difunde-se a graça (Sl 144,3)". “A Igreja lê o salmo cento e quarenta e quatro como a representação poético-profética do relacionamento esponsal entre Cristo e a Igreja. Reconhece Cristo como o mais  belo entre os homens; a graça sobre os lábios indica a beleza interior da sua palavra, a glória do seu anúncio. Assim, não é apenas a beleza exterior da aparição do Redentor a ser glorificada: nele aparece muito mais a beleza da Verdade, a beleza do próprio Deus que nos atrai a si e ao mesmo tempo nos causa a ferida do Amor, a santa paixão (‘Eros’) que nos faz ir ao encontro, junto e com a Igreja-Esposa, ao Amor que nos chama” (“Beleza de Cristo”, Joseph Ratzinger/ Bento XVI).
Na festa do Bom Pastor, celebrada pela Igreja no Quarto Domingo da Páscoa, é possível descortinar algumas características da personalidade de Jesus (Jo 10,1-18). O Evangelho de São João apresenta três belíssimas parábolas, que vieram a ser consideradas como “Parábola do Bom Pastor”, no quadro do difícil confronto de Jesus com adversários ferrenhos que o pressionavam. De fato suas palavras “causaram nova divisão entre os judeus” (Jo 10,19).
A imagem utilizada por Jesus é a do pastor de ovelhas, rica de significado para o ambiente em que se encontrava, mas ainda atual em nossos dias. Ele é a porta das ovelhas: “quem entrar por mim será salvo; poderá entrar e sair, e encontrará pastagem” (Cf. Jo 10,7-9). Portas abertas, clareza para expressar as coisas, nada de complicações! Todos se impressionam com gente assim e se sentem atraídos!
“Conheço as minhas ovelhas e elas me conhecem” (Jo 10,15). Ele conhece cada uma das ovelhas pelo nome (Jo 10,3), é capaz de estabelecer relacionamento pessoal, não apenas com a massa! Todos são importantes para Ele e suas necessidades ressoam em seu coração.
 “Eu sou o bom pastor. O bom pastor dá a vida por suas ovelhas” (Jo 10,11). Bondade e entrega de vida. Só quem é plenamente realizado e feliz pode chegar a tais alturas, pois é aquele que veio “para que tenham vida, e a tenham em abundância” (Cf. Jo 10,10). Jesus Cristo, acolhido e amado, oferece tudo o que as pessoas de qualquer tempo procuram.
Jesus olha longe, num grande horizonte aberto: “Tenho ainda outras ovelhas, que não são deste redil; também a essas devo conduzir, e elas escutarão a minha voz, e haverá um só rebanho e um só pastor” (Jo 15,16). Portas e janelas abertas, os confins da terra. o universo inteiro, se fechamentos e exclusivismos!
Nele, Nosso Senhor Jesus Cristo, está nossa vida e nossa missão. Hoje é o nosso tempo para conhecer sua voz e seguir aquele que vai à nossa frente (Jo 10,4). Entretanto, sendo limitados, parece-nos muito alto o ideal: dar a vida, conhecer pelo nome, dar exemplo, ir à frente dos outros, abrir-se para todos, enfim, acolher e espelhar a beleza e a bondade do Pastor! Sabendo disso, a Igreja nos leva a pedir com confiança: “Deus eterno e todo-poderoso, conduzi-nos à comunhão das alegrias celestes, para que o rebanho possa atingir, apesar de sua fraqueza, a fortaleza do Pastor”. Assim seja!
Fonte: ZENIT

sexta-feira, 25 de novembro de 2011

Vamos recristianizar o Natal!



Reflita com este texto e prepare os caminhos para a festa de Deus conosco, o Natal
Com a grande solenidade de Nosso Senhor Jesus Cristo, Rei do Universo, realizada no último domingo (20), encerrou-se o ano litúrgico. A partir de agora, vivemos em expectativa. No próximo Dia do Senhor, passaremos a ansiar e desejar a vinda do Senhor, Emanuel, Deus Conosco! Ele há de vir, é o Advento!
O Natal, uma das principais festas da cristandade, aproxima-se. No entanto, é visível que a forma com a qual vivenciamos a preparação e a própria festa do nascimento de Jesus não é aquela com a qual deveríamos.
Prestes a entrarmos no período de espera, reflitamos com o texto da coordenadora nacional da Comissão e Ministério de Comunicação da RCCBRASIL, com o qual já começamos a pensar no ano passado. Leia, repasse e partilhe com seu Grupo de Oração. E se você tem algum testemunho a esse respeito, envie para nós: dpto.comunicacao@rccbrasil.org.br.



VAMOS RECRISTIANIZAR O NATAL!

É Natal! Época de festas. Que maravilha! É o momento de montarmos a árvore e o presépio.

Tempo de comércio movimentado e aberto até mais tarde. É preciso pensar nos presentes e ir às compras: vamos comprar brinquedos, comprar roupas novas, sapatos novos (que bom que tem décimo terceiro!!!).

É Natal! Época de comidas típicas! A televisão vai começar aquela maratona das mesmas matérias: que roupa vestir, que maquiagem fazer, o que preparar para a ceia, e depois vai nos ensinar como perder os quilos extras adquiridos nos dias de fartura, vai dar dicas de como curar a ressaca... Tudo tão apropriado...

SERÁ???

Olhemos bem à nossa volta. Por que a festa que deveria ser sinônimo de simplicidade, singeleza, transformou-se neste festival de consumismo? Por que tanto estresse? Por que tanta correria? Por que tanto nervosismo?

Olhemos a expressão de cansaço dos funcionários das lojas e supermercados, que têm que atender com solicitude e paciência clientes estressados, mal-humorados! Olhemos para as ruas e os shoppings tomados por uma grande multidão afoita!

Olhemos para as ceias: comidas e troca de presentes!

E o mundo fica vermelho e branco. Basta dar um passo e damos de cara com o Papai Noel: nas vitrines, nos supermercados, nas farmácias, nos postos de gasolina. Por todos os cantos lá está o “bom velhinho”. O grande personagem da festa. O quê? O grande personagem da festa? Mas que heresia!

Sim, uma grande heresia que infelizmente vem sendo propagada cada vez mais.

Um dia, eu vi uma reportagem na TV na qual uma criancinha era questionada sobre o que era o Natal, e ela não hesitou em responder: “é a festa do Papai Noel” (assim, como para tantas e tantas outras crianças a Páscoa é a festa do coelhinho).

Nada mais natural do que ela pensar assim, porque para onde quer que olhemos lá está ele, parado, dançando, cantando...

Não, eu não vou discutir a figura do Papai Noel, até porque dizem que lá na origem (das origens) ele tem inspiração cristã. Seria um bispo generoso. Mas a lógica que faz dele hoje um personagem tão famoso é essa? A caridade cristã? Sinceramente, duvido. E cá entre nós, está certo isso? Está certo o Natal se transformar numa data tão comercial e o Papai Noel ser o grande destaque?

E JESUS? Que lugar Ele tem em seu próprio aniversário? Seria mais um personagem para decorar o presépio? É nisso que se transformou o nosso Natal? O que está acontecendo conosco? Por que deixamos as coisas chegarem a este ponto?

Que lastimável! Uma festa Santa, ser marcada desta forma pelo consumismo, bebedeiras, mortes no trânsito. Festa marcada pelo estresse, cansaço, esgotamento total. E o pior de tudo: lamentavelmente, é preciso dizer que isso ocorre em muitos lares cristãos, de católicos que frequentam a missa todo domingo.

Temos que mudar isso! Temos que recristianizar o Natal! E não somente o Natal, mas a Páscoa, o dia de 12 de Outubro, de Nossa Senhora Aparecida. O primeiro dia da Semana, o Domingo da Ressurreição, Domingo do Senhor.

Temos que recristianizar a cultura. Viver a Cultura de Pentecostes, na qual o centro é Jesus Cristo, Senhor, Salvador que nos foi dado numa simples manjedoura. Pobre do nascimento à morte. Manso e humilde! Sendo Deus não quis se valer de sua condição.

Não é justo, não é certo que o Seu nascimento tenha perdido o verdadeiro significado. Nossas consciências não podem estar tão anestesiadas. Temos que reagir!

Claro, não vamos conseguir convencer o mundo neste Natal. Mudar um cultura leva um certo tempo. Mas que tal começar por nossas casas, nossas famílias? Que tal fazer da noite de Natal uma verdadeira festa cristã? Que tal falarmos francamente sobre isso em nossos Grupos de Oração e propormos a mudança?

Temos que ensinar a nossas crianças o valor verdadeiro desta festa. Que ótima oportunidade de evangelizarmos nossos pequenos (e também os adultos).

Aqui, faço uma breve partilha: Eu aprendi sobre Jesus quando era pequena. Minha mãe falava sobre Ele, e com apenas três ou quatro anos de idade (até onde posso lembrar, mas creio que ela falasse antes) eu já sabia que Deus tinha vindo à terra. E aquilo me encantava. Eu ficava imaginado onde Ele tinha morado. O que Ele tinha feito enquanto viveu aqui. Eu queria saber no que Ele tinha tocado, onde tinha pisado. Eu aprendi a amar Jesus quando era criança. E ainda hoje recordo desse sentimento. Ele permaneceu em meu coração esses anos todos e sempre sustentou minha fé. Todas as vezes que eu tive crises de fé, sem exceção, eu me lembrei do que aprendi sobre Jesus quando muito pequena. Sou capaz de me lembrar até mesmo das palavras de minha mãe.

Partilho isso para testemunhar que vale a pena, que é preciso sentar e falar de Jesus para as nossas crianças. Contar a história Dele. Linda história! Elas têm o direito de saber quem é o aniversariante desta festa. Elas têm o direito de conhecer Jesus Cristo!

Jesus tem que ser o centro de tudo em nossas vidas, e tem que ser o centro desta época do ano. Vamos recristianizar o Natal!

Vamos fazer um grande louvor ao Pai porque há dois mil anos Ele nos enviou seu Filho amado, para que tivéssemos vida. Ele nos deu o maior presente que poderíamos receber. Deu-nos, por meio de Jesus Cristo, acesso irrestrito ao seu Trono, nos resgatando da morte eterna.

Vamos fazer de nossas ceias uma festa cristã. Celebrar o nascimento do nosso Senhor. Vamos fazer programações de Natal em nossos Grupos. Vamos convidar o bairro inteiro. Vamos partilhar mais. Ajudar os irmãos necessitados, mas não apenas doando alimentos e sim falando do Senhor do Natal, porque eles não têm fome apenas de pão. Vamos recristianizar o Natal!

Que isso inquiete em nossos corações... Inquietação santa, necessária!

Que o Espírito Santo nos conduza a vivermos um Santo Natal, honrando e glorificando o Filho Amado do Pai. Nosso Senhor e Salvador que desceu do céu para nos tirar do poder da Morte. A Ele, Jesus, o Senhor, toda honra, toda glória, todo louvor! Amém!

Lúcia Volcan Zolin
Coordenadora Nacional da Comissão e do Ministério de Comunicação